domingo, 26 de abril de 2026

DIA INTERNACIONAL DO DESASTRE NUCLEAR: O "INVERNO NUCLEAR"

 

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      DIA INTERNACIONAL DO DESASTRE NUCLEAR: O "INVERNO NUCLEAR"

 

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                        O "INVERNO NUCLEAR"

"Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno ou no sábado"

                                 (Jesus)


Exatamente há 40 anos ocorria o desastre nuclear de Chernobyl, dia 26 de abril de 1986. Ele submergiu a Ucrania em uma nuvem de material radioativo que alcançou rapidamente toda a Europa. A nuvem radioativa, lançada da usina nuclear deixou um rastro de morte e destruição. Foi um desastre ambiental que foi  muito além das fronteiras do bloco soviético. 


Segundo Eric Hobsbawn,  o  historiador tem por ofício "lembrar o que outros esquecem",  para compreender,  e não exatamente para julgar.  No entanto, para um historiador, com formação jurídicofilosófica, o julgamento é não só possivel, como necessário. Por exemplo, não foi apenas possível compreender o genocídio nazista, a razão prática nos leva a julgá-lo. Toda uma legislação internacional surgiu dessa necessidade. 


Nos passos do jusfilósofo Pontes de Miranda, os fatos da vida não se apresentam todos relevantes para o direito. Mas, existe um fluxo ininterrupto entre o "mundo fático e o mundo jurídico", para usar as expressões do civilista. Para autores mais próximos,  como Tullio Scorvazzi, o desastre de Chernobyl não só repercutiu na produção de uma legislação internacional sobre os sinistros nucleares, como nos fez pensar na responsabilidade jurídica dos Estados na prevenção,  comunicação, reparação e compensação de tais acidentes. 


Nos últimos anos estamos presenciando o rearmamento crescente das nações, com aumento significativo na produção de armas e artefatos nucleares, combiçadas por nações historicamente beligerantes. O filósofo Kant já recomendava em sua obra "A paz perpétua" que o investimento em armas por um Estado levantará suspeitas em outro Estado, levando a um corrida armentista.  Se a Europa tivesse ouvido Kant, não teríamos a Primeira Guerra, nem tampouco, a Segunda Guerra Mundial.


A gravidade de um acontecimento nuclear me faz pensar por verossimilhança que acontecimentos passados, que quase extingiu povos inteiros, nos servem de alerta. Fazendo um interpretação heterodoxa das palavras de Jesus, aparentemente fora da tradição hermenêutica do Cristianismo tradicional, entendo que o inverno que ele descreve vai além do evento considerado objeto dessa profecia, mencionada na epígrafe dessa postagem: a tomada de Jerusalém pelos romanos no ano 70. d.C. Diz Eusébio de Cesáreia, no século III, corroborado pelo historiador judeu Flávio Josefo, que os cristãos fugiram da cidade exatamente antes do inverno.


Estamos nos avizinhando de um incidente nuclear, que pode ter como palco inicial a guerra na Ucrânia ou a Guerra no Irã.  Recentemente esse país fez um ataque à usina nuclear israelense de Dimona, considerada a usina mais bem protegida do mundo. Uma retaliação de Israel a um ataque que rompa a sua segurança será necessariamente nuclear. Um cataclisma nuclear cobrirá,  na melhor das hipóteses, toda o planeta em uma espessa nuvem rodioativa que comprometerá a vida por longos séculos,  um verdadeiro "inverno nuclear".


Um historiador dizia que os Balcãs era um barril de pólvora. Esquecemos que para explodir um barril de pólvora basta uma centelha de fogo. Foi o que aconteceu nos Balcãs, o atentado que levou a morte do príncipe Francisco Ferdinando, que como um rastilho de pólvora,  foi o estopim da Primeira Grande Guerra, que por sua vez levou à eclosão da Segunda Guerra Mundial.


Mas, diferente da tomada de Jerusalém,  onde os cristãos tinham para onde fugir, e diferente da Segunda e Terceira Guerra, que matou milhões de pessoas, um cataclisma nuclear não permitirá fuga para um lugar seguro, nem tampouco permitirá contar os mortos, pois, como diz Hannah Arendt,  a era nuclear põe em risco a extinção não de indivíduos,  mas de toda a espécie humana. 


Estamos assistindo,  indiferentes, homens de Estado riscando o fósforo cada vez mais próximo do barril de pólvora.

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